Quadrilhas que fazem
crescer o número de veículos levados das ruas do Rio Grande do Sul não hesitam
em matar ou ferir suas vítimas
Funcionário do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Paulo
Roberto Rosa de Oliveira, 54 anos, descarregava compras com a mulher no domingo
passado quando dois homens o encurralaram, para levar seu Focus. Sem entender
que se tratava de um assalto, ele perguntou o que os assaltantes queriam. Foi
morto com três tiros, na Rua Ramiro Barcelo. Os bandidos fugiram deixando o
veículo para trás.
Na noite de quinta-feira, o corretor Eloy Kath, 81 anos,
trancava a porta do seu Fit quando foi abordado por três homens, dois deles
armados, no bairro Petrópolis. Após imobilizar o idoso, lhe tiraram as chaves,
deram uma coronhada na cabeça e o jogaram no chão. Já dentro do carro, os
bandidos andaram em marcha a ré e depois passaram com o carro por cima do idoso.
Kath sobreviveu, com ferimentos.
Oliveira foi morto e Kath é hoje um homem traumatizado por
força de uma das molas propulsoras do submundo, a indústria do furto e do roubo
de automóveis, que voltou a crescer no Rio Grande do Sul, depois de uma queda
no final da década. Há dois anos o número de veículos levados por ladrões
aumenta a passos largos, a exemplo do início da década passada. A cada dia, em
2012, 74 pessoas têm o carro levado por ladrões – à força, em meio ao
atordoamento de um assalto, ou de forma dissimulada.
Ano passado, foram 70 veículos subtraídos por dia, 6% a
menos do que o índice atual. Em 2010, esse número foi de 69 ao dia, 7% a menos
do que a média de hoje.
Em Porto Alegre o furto e roubo de automotores também sofreu
um ligeiro incremento. A média no ano passado foi de 22 veículos levados por
dia e, em 2012, está em 24.
Veículos são visados porque um em cada três crimes graves
envolve ação de ladrões de carros, explicam policiais. Além de servirem como
moeda, são usados em assaltos, no tráfico, em sequestros, em execuções. Uma
quadrilha de assaltantes desbaratada esta semana pela Delegacia de Roubos da
Polícia Civil roubava, em média, 12 automóveis por semana. A revenda dos
veículos financiava o ataque a bancos.
A atividade dos ladrões de carro tem aumentado e, se mantida
a frequência, pode se aproximar dos números assustadores de anos atrás. Em
2006, as quadrilhas levaram, em média, 92 veículos por dia no Rio Grande do
Sul. A mudança de governo, em 2007, trouxe também uma troca na postura das
autoridades. Em dois anos na liderança da Brigada Militar, primeiro como subcomandante
e depois como comandante, o coronel Paulo Roberto Mendes estimulou a formação
de barreiras policiais nos principais cruzamentos do Estado.
Fonte: Zero Hora
Especialista defende blitze
Foram 16,5 milhões de veículos abordados em blitze em 2007 e
19,6 milhões em 2008. O resultado é que a média caiu de 92 carros levados pelos
ladrões a cada dia para 83/dia, no final de 2008. E seguiu em queda, chegando a
69 por dia na gestão do sucessor de Mendes, o coronel João Carlos Trindade.
– O crime anda sobre rodas, por isso montamos barreiras em
toda a parte. Funcionou. Elencamos também metas, o que rendeu muita polêmica:
cada PM de serviço tinha de abordar seis veículos. Isso resultava em mais de 50
mil abordagens num dia. Fez cair a ação dos ladrões de carro e, por tabela, o
dos assaltantes de banco e do tráfico de drogas – recorda Mendes, hoje juiz do
Tribunal de Justiça Militar.
Mas barreiras evitam mesmo o roubo de veículos? O atual
comandante da BM, coronel Sérgio Abreu, diz que as blitze devem existir, mas
não em toda parte. E se mostra avesso a metas. Ele acha que o estabelecimento
de cotas de abordagem por policial não é uma boa política.
Já para o especialista em estudo de crimes, o ex-secretário
nacional de Segurança Pública e professor do Centro de Altos Estudos em
Segurança da PM paulista, coronel reformado José Vicente da Silva Filho, as
blitze são fundamentais para conter os ladrões de veículos. E a diminuição
delas explica, em muito, o crescimento nos furtos e nos roubos de automóveis.
– Basta ver que as duas curvas estatísticas são inversamente
proporcionais. Quando aumentam as blitze, caem os roubos. Não só de carros, mas
de todo tipo. É porque o criminoso avalia o risco dos seus atos: se pode lhe
custar a liberdade, ele evita o delito. Barreiras têm mais impacto que simples
viaturas circulando na rua.
Fonte: Site Zero Hora
A esperança no rastreador
Os rastreadores de veículos se
tornaram a grande esperança das autoridades em frear o ímpeto dos ladrões. É
que esse dispositivo será obrigatório a partir de 2013 para carros e caminhões
que saírem das fábricas. A ideia do governo é torná-lo, também, obrigatório
para veículos usados. O serviço de rastreamento inclui a localização exata do
veículo por GPS e bloqueio do carro, quando roubado. Quem utiliza o serviço
pode instalar pontos de ativação de alerta de roubo onde quiser, no automóvel.
Fonte: Site Zero Hora
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