Uma publicação do jornal A Hora do Sul, aqui no Instagram, chamou minha atenção e me fez revisitar um período muito significativo da minha trajetória profissional.
A matéria traz a seguinte chamada: “Fim da escala 6x1 pode elevar custos e exigir fechamento de lojas aos domingos, apontam entidades”.
Ao ler a manchete, tive a sensação de já ter ouvido esses
argumentos antes. E, de fato, ouvi. Há quase quatro décadas!
Volto a 1989, um ano após a promulgação da Constituição
Federal de 1988, quando eu trabalhava como assessora jurídica da Federação dos
Comerciários do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, atuando exclusivamente na
área dos dissídios coletivos, acordos e convenções coletivas de trabalho.
Lembro muito bem dos argumentos apresentados, à época, por
representantes da classe patronal diante dos direitos trabalhistas assegurados
e ampliados pela nova Constituição: aumento dos custos, desemprego, fechamento
de estabelecimentos comerciais, inviabilidade econômica de determinados
setores.
Curiosamente, são praticamente os mesmos argumentos que
ouvimos hoje, quase quatro décadas depois, diante da possibilidade de extinção
da escala 6x1.
As previsões mais alarmistas não se concretizaram na
dimensão anunciada. O comércio não desapareceu, as empresas se adaptaram e os
direitos conquistados passaram a integrar as relações de trabalho.
É evidente que mudanças dessa natureza exigem planejamento,
negociação e adaptações. Mas é preciso distinguir dificuldades reais de
implementação de discursos que, historicamente, acompanham praticamente toda
ampliação de direitos sociais.
A história não se repete exatamente, mas alguns argumentos
parecem resistir ao tempo. E a memória histórica é indispensável para
qualificar o debate presente.

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