Ontem, à noite, numa conversa entre amigas, esse tema se mostrou presente, ainda que dele não estivéssemos falando expressamente. Ao deitar-me, em reflexões e pequenas anotações costumeiras antes de dormir, fiquei a pensar sobre a transição profissional aos 60 anos, quando ela está orientada não pela necessidade de construir carreira, mas por um desejo de dar sentido ao tempo que temos pela frente, por uma possibilidade que merece ser valorizada.
Essa decisão, de
realizar essa transição, vem permeada, também, por uma percepção: se não
somos exatamente as mesmas pessoas que éramos quando começamos, por que
continuar fazendo exatamente o que sempre fizemos?
Houve tempo que, sim, completar 60 anos significava estar
próximo de encerrar a vida profissional. Falava-se muito em aposentadoria,
descanso, desaceleração, e quase nada em recomeços.
Mas, os tempos mudaram, e mudaram muito. Felizmente, nossa
maneira de compreender a passagem do tempo também se alterou.
Vejo que aos 60 anos podemos ter diante de nós grandes
oportunidades de escolhas. Eleger como queremos viver os próximos anos da vida,
e da trajetória profissional e, assim, reinventar-se.
Aos 20 e poucos anos, buscamos caminhos. Aos 60, podemos
escolher experiências exatamente porque já percorremos tantos deles.
Por isso mesmo uma transição, ou reinvenção nesta etapa da
vida não significa abandonar uma história. Ao contrário, é reconhecer que ela cumpriu
seu papel, nos moldou e constituiu, o que também nos impulsiona a seguir noutra
direção.
Eu percebo uma liberdade particular ao perceber que não é necessário
permanecer onde sempre estivemos apenas porque ali construímos boa parte da
trajetória de vida. Essa experiência não deve nos prender ao passado. É ela que
nos autoriza lindamente a construir o futuro.
E esse sentimento, ou percepção, ou conquista, seja o que
for, é um privilégio de quem alcança 60 anos.
Eu sei que nem todos podem fazer tais escolhas. Há
circunstâncias que muitas vezes são impeditivas. Mas, quando a oportunidade se
apresenta, por que não acolhê-la?
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