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quinta-feira, outubro 8

Aos 60, ainda é tempo de começar?

Ontem, à noite,  numa conversa entre amigas, esse tema se mostrou presente, ainda que dele não estivéssemos falando expressamente. Ao deitar-me, em reflexões e pequenas anotações costumeiras antes de dormir, fiquei a pensar  sobre a transição profissional aos 60 anos, quando ela está orientada não pela necessidade de construir carreira, mas por um  desejo de dar sentido ao tempo que temos pela frente, por uma possibilidade que merece ser valorizada.

Essa decisão, de  realizar essa transição, vem permeada, também, por uma percepção: se não somos exatamente as mesmas pessoas que éramos quando começamos, por que continuar fazendo exatamente o que sempre fizemos?

Houve tempo que, sim, completar 60 anos significava estar próximo de encerrar a vida profissional. Falava-se muito em aposentadoria, descanso, desaceleração, e quase nada em recomeços.

Mas, os tempos mudaram, e mudaram muito. Felizmente, nossa maneira de compreender a passagem do tempo também se alterou.

Vejo que aos 60 anos podemos ter diante de nós grandes oportunidades de escolhas. Eleger como queremos viver os próximos anos da vida, e da trajetória profissional e, assim, reinventar-se.

Aos 20 e poucos anos, buscamos caminhos. Aos 60, podemos escolher experiências exatamente porque já percorremos tantos deles.

Por isso mesmo uma transição, ou reinvenção nesta etapa da vida não significa abandonar uma história. Ao contrário, é reconhecer que ela cumpriu seu papel, nos moldou e constituiu, o que também nos impulsiona a seguir noutra direção.

Eu percebo uma liberdade particular ao perceber que não é necessário permanecer onde sempre estivemos apenas porque ali construímos boa parte da trajetória de vida. Essa experiência não deve nos prender ao passado. É ela que nos autoriza lindamente a construir o futuro.

E esse sentimento, ou percepção, ou conquista, seja o que for, é um privilégio de quem alcança 60 anos.

Eu sei que nem todos podem fazer tais escolhas. Há circunstâncias que muitas vezes são impeditivas. Mas, quando a oportunidade se apresenta, por que não acolhê-la?

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