Desde que decidimos ter um filho, passamos a viver em tempo de espera. Esperamos a gravidez acontecer, depois que os meses se completem, que o corpo cumpra seus ciclos e que chegue o dia do nascimento. E, quando finalmente os filho chegam, inauguramos outras esperas.
Esperamos que durmam uma noite inteira, que mamem e suguem o peito o suficiente, que ganhem peso e, logo após alguma espera, que descubram os primeiros sabores. Esperamos os primeiros sorrisos, os primeiros passos, as primeiras palavras. Ah... e os primeiros dentes e, depois, esperamos que alguns caiam para dar lugar a outros.
A vida segue, e nós seguimos a esperar: que cresçam saudáveis, que gostem da escola, que façam amigos, que aprendam a lidar com as pequenas frustrações, que descubram as primeiras alegrias de pertencer ao mundo para além da casa, e que também saibam enfrentar as tristezas.
Esperamos que encontrem seus interesses, reconheçam suas aptidões, escolham uma profissão. Que ingressem na universidade, ou que não ingressem, mas que descubram outros caminhos. Esperamos que encontrem um trabalho que lhes faça sentido, que conquistem independência, e que saibam fazer escolhas. E as sustentem, enfim.
E seguimos a espera, pois que continuamos esperando. Mas o que mais? Talvez que encontrem alguém para compartilhar a vida. Talvez que tenham filhos. Talvez que não tenham. Esperamos, sobretudo, que possam decidir livremente o que desejam fazer com a própria existência.
Curiosamente, passamos boa parte da maternidade esperando que nossos filhos já não precisem tanto de nós. E, quando finalmente alcançam essa autonomia, percebemos que não deixamos de esperar. Apenas aprendemos a fazê-lo de outra maneira.
Já não esperamos os primeiros passos, mas os caminhos que escolherão percorrer. Já não aguardamos que aprendam a falar, mas que encontrem sua própria voz. Já não velamos todas as suas noites, mas seguimos desejando que amanheçam em paz.
A maternidade, assim, e neste outro momento, passa a ser um exercício permanente de aprender a esperar sem controlar, de acompanhar sem conduzir, de amar sem exigir que a vida do outro corresponda àquela que imaginamos. Porque, ao fim e ao cabo, por trás de tantas esperas, existe um desejo que permanece inalterado desde o primeiro instante: que nossos filhos encontrem, sempre que puderem, a felicidade.
E talvez seja essa a única espera que nunca envelhece...

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