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quarta-feira, setembro 30

Pet friendly, mas só até aqui


Seu pet só pode vir até aqui!

Foi essa a placa que me fez parar no Bourbon Shopping Ipiranga, em Porto Alegre.

A mensagem tenta ser simpática. Há o desenho de um cachorrinho no topo, a declaração “Amamos pets” e, no rodapé, o termo tão contemporâneo: Pet Friendly.

Amamos pets. Somos pet friendly. Mas só até aqui.

Esse “até aqui” me fez sentar e refletir. Não defendo que animais devam estar em todos os lugares indiscriminadamente, tampouco desconheço as rígidas e necessárias normas sanitárias aplicadas aos estabelecimentos que comercializam alimentos.

Contudo, pergunto-me se — mesmo em 2026, diante de tantas transformações sociais, culturais e jurídicas na nossa relação com os animais de companhia — a única resposta possível ainda precisa ser uma proibição sumária.

Observando a placa e o amplo espaço da praça de alimentação do Bourbon Ipiranga, com suas mesas, corredores e grandes áreas de circulação, questiono: seria realmente inviável destinar uma pequena parcela desse ambiente, devidamente delimitada e submetida a regras específicas, aos tutores acompanhados de seus animais?

Não se trata de colocar cães junto aos balcões de atendimento, tampouco sobre mesas e cadeiras. Refiro-me à criação de uma área reservada, com normas claras de higiene, exigência de guias ou carrinhos e responsabilidade total dos tutores — preservando, naturalmente, o conforto de quem tem medo, alergias ou qualquer tipo de aversão a animais.

É inegável a mudança profunda no vínculo entre as pessoas e os bichos de estimação. Eles passaram a viver dentro de casa, viajar com a família e frequentar hotéis, lojas e centros comerciais. A própria linguagem evoluiu: hoje falamos em animais de companhia, tutores e bem-estar animal.

No cenário internacional, essa transição também é evidente. A União Europeia reconhece juridicamente os animais como seres sencientes e adota normas que facilitam seu deslocamento entre os países do bloco. No Brasil, também avançamos: acompanhamos essas transformações, inclusive  com legislações municipais que já admitem expressamente a presença de animais em estabelecimentos comerciais privados, incluindo shoppings. Os espaços de convivência, portanto, também precisam dialogar com essa nova realidade.

Alguns centros comerciais já perceberam esse movimento e criaram alternativas à praça de alimentação convencional. O Shopping Pelotas é um exemplo precursor nesse sentido: implementou uma Praça Pet, ambiente planejado onde os tutores podem fazer suas refeições acompanhados de seus cães.


Tenho grande apreço pelos animais, especialmente pelos cães, mas não escrevo apenas por afeto. Escrevo porque acredito que, entre o "permitir animais em qualquer lugar" e o "seu pet só pode vir até aqui", existe uma terceira via plenamente viável. 

Se o Shopping Pelotas conseguiu implementar essa solução, por que os demais shoppings não poderiam fazer o mesmo diante de uma demanda cada vez mais frequente no cotidiano?


No caso do Bourbon Shopping Ipiranga, espaço não é o problema. As imagens que compartilho nesta publicação comprovam que há estrutura e alternativa viável.

Quem sabe ainda vou identificar esses espaços nos shoppings de Porto Alegre, pelo menos no Praia de Belas e no Bourbon Shopping, que estou segura não possuírem este espaço para tutores e seus pets.

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