Estive, como milhares de pessoas na nossa região, sem energia elétrica e sem água desde a madrugada de segunda-feira, sendo que apenas hoje, nesta madrugada de sexta-feira, a energia retornou.
Portanto, experimentei o transtorno e a impaciência de esperar pelo restabelecimento de serviços essenciais.
E me chamou atenção - escrevi sobre o tema na quarta-feira - como algumas formas de manifestação são difíceis de compreender.
Nesta quarta-feira, moradores bloquearam a BR-392, entre Pelotas e Rio Grande, e em outros pontos de Pelotas, em protesto pela falta de eletricidade. Na quinta-feira, esses atos se repetiram.
Ainda há quem esteja enfrentando os problemas da falta de luz e de água, resultado do evento climático de segunda-feira.
É legítimo reclamar e cobrar agilidade ou transparência da concessionária; os serviços essenciais exigem respostas à altura, especialmente se a ideia de privatização - que muitos defendem - parecia melhor opção à CEEE.
A questão é: fechar uma rodovia acelera o conserto da rede? Fechar as ruas de bairros da cidade com galhos, pneus e fogo, dá algum resultado?
Após um evento climático dessa magnitude — com árvores, postes e cabos derrubados —, a recuperação exige logística, equipes especializadas e uma ordem rigorosa de prioridades.
Interromper o trânsito não faz com que postes sejam reconstruídos mais rapidamente; ao contrário, cria um segundo problema.
Quem precisa se deslocar entre as duas cidades, ou entre as vias de Pelotas, também pode estar há dias sem luz e água, tentando trabalhar, buscar atendimento médico ou resolver os próprios prejuízos.
A indignação de quem espera é justa — eu também espero. Mas, em emergências coletivas, precisamos distinguir o direito de protestar da eficácia do método escolhido.
Quando a manifestação impede o deslocamento de centenas de pessoas sem contribuir para a solução, resta perguntar: estamos pressionando os responsáveis ou apenas dificultando a vida de quem enfrenta a mesma crise?
Espero, sinceramente, que hoje, sexta-feira, seja tempo de pararem as manifestações que apenas trazem mais problemas, e que a água e a luz retornem para todos.
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