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sexta-feira, setembro 25

Quando os protestos criam mais problemas...

Estive, como milhares de pessoas na nossa região, sem energia elétrica e sem água desde a madrugada de segunda-feira, sendo que apenas hoje, nesta madrugada de sexta-feira, a energia retornou.

Portanto, experimentei o transtorno e a impaciência de esperar pelo restabelecimento de serviços essenciais. 

E me chamou atenção - escrevi sobre o tema na quarta-feira - como algumas formas de manifestação são difíceis de compreender.

Nesta quarta-feira, moradores bloquearam a BR-392, entre Pelotas e Rio Grande,  e em outros pontos de Pelotas, em protesto pela falta de eletricidade. Na quinta-feira, esses atos se repetiram. 

Ainda há quem esteja enfrentando os problemas da falta de luz e de água, resultado do evento climático de segunda-feira.

É legítimo reclamar e cobrar agilidade ou transparência da concessionária; os serviços essenciais exigem respostas à altura, especialmente se a ideia de privatização - que muitos defendem - parecia melhor opção à CEEE. 

A questão é: fechar uma rodovia acelera o conserto da rede? Fechar as ruas de bairros da cidade com galhos, pneus e fogo,  dá algum resultado?

Após um evento climático dessa magnitude — com árvores, postes e cabos derrubados —, a recuperação exige logística, equipes especializadas e uma ordem rigorosa de prioridades. 

Interromper o trânsito não faz com que postes sejam reconstruídos mais rapidamente; ao contrário, cria um segundo problema.

Quem precisa se deslocar entre as duas cidades, ou entre as vias de Pelotas, também pode estar há dias sem luz e água, tentando trabalhar, buscar atendimento médico ou resolver os próprios prejuízos.

A indignação de quem espera é justa — eu também espero. Mas, em emergências coletivas, precisamos distinguir o direito de protestar da eficácia do método escolhido. 

Quando a manifestação impede o deslocamento de centenas de pessoas sem contribuir para a solução, resta perguntar: estamos pressionando os responsáveis ou apenas dificultando a vida de quem enfrenta a mesma crise?

Espero, sinceramente, que hoje, sexta-feira, seja tempo de pararem as manifestações que apenas trazem mais problemas, e que a água e a luz retornem para todos.


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