O final de 2025 foi particularmente difícil para mim.
E, olhando de lá, 2026 não parecia prometer muita coisa.
Havia mudanças demais no horizonte. Rupturas. Finais. A
necessidade de deixar para trás lugares, rotinas, vínculos e modos de viver
que, por muito tempo, fizeram parte de quem eu era.
Tive medo.
Medo das rupturas. Medo das ausências. Medo das faltas que
imaginei que sentiria. Talvez, sobretudo, medo daquele espaço vazio que às vezes fica quando uma parte importante da nossa vida termina.
2026 chegou. E com ele uma coragem.
Os primeiros tempos, muito reflexivos, não foram fáceis.
Mas, em algum momento que nem sei precisar, as coisas
começaram a mudar. Ou talvez tenha sido eu.
Mudamos. As coisas e eu.
Hoje me surpreendo
pensando, e enquanto escrevo, sorrio: eu não poderia estar me sentindo
melhor.
As faltas que temi não vieram. Os vazios não se instalaram.
O passado não ficou me chamando de volta.
Ao contrário. Estou leve. Feliz. Inteira no presente.
Tenho descoberto novos fazeres, me envolvido em novos
projetos, encontrado outras formas de ocupar meus dias, cuidando de mim e das
minhas coisas preferidas, pessoais e profissionais — e, principalmente, de me
reconhecer neles.
Há uma alegria inesperada em perceber que a vida não
terminou junto com aquilo que acabou.
Ela simplesmente continuou...
E trouxe coisas que eu não havia planejado. E outras que eu
havia deixado de lado no transcurso do tempo.
Talvez essa seja uma das descobertas mais bonitas deste meu 2026: nem toda ruptura produz ausência.
Algumas produzem espaço.
Espaço para o novo.
Para outras experiências.
Para outros desejos.
Para uma versão de mim que eu havia esquecido existir, e
outras versões que eu sequer conhecia.
Olho para trás sem ressentimento e, curiosamente, sem vontade de voltar. Nenhuma vontade de voltar.
O que passou teve seu tempo, sua
importância, sua história.
E eu estou aqui.
Vivendo um presente que, quando 2026 começou, eu não seria
capaz de imaginar.
Talvez seja isso que a vida faça de mais bonito vez por outra: quando a gente pensa que está tudo errado, ela vem e surpreende para te
mostrar que está tudo certo.
E agora, enquanto escrevo as últimas palavras desta crônica, digito o ponto. Termino. .
E outra vez sorrio.

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