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sexta-feira, agosto 28

Quando a vida surpreende e te apresenta o melhor...



O final de 2025 foi particularmente difícil para mim.

E, olhando de lá, 2026 não parecia prometer muita coisa.

Havia mudanças demais no horizonte. Rupturas. Finais. A necessidade de deixar para trás lugares, rotinas, vínculos e modos de viver que, por muito tempo, fizeram parte de quem eu era.


  Tive medo.

   Medo das rupturas. Medo das ausências. Medo       das faltas que imaginei que sentiria. Talvez,   sobretudo, medo daquele espaço vazio que às   vezes fica quando uma parte importante da nossa   vida termina.

2026 chegou. E com ele uma coragem. 

Os primeiros tempos, muito reflexivos, não foram fáceis.

Mas, em algum momento que nem sei precisar, as coisas começaram a mudar. Ou talvez tenha sido eu.

Mudamos. As coisas e eu.

Hoje  me surpreendo pensando, e enquanto escrevo, sorrio: eu não poderia estar me sentindo melhor.

As faltas que temi não vieram. Os vazios não se instalaram. O passado não ficou me chamando de volta.

Ao contrário. Estou leve. Feliz. Inteira no presente.

Tenho descoberto novos fazeres, me envolvido em novos projetos, encontrado outras formas de ocupar meus dias, cuidando de mim e das minhas coisas preferidas, pessoais e profissionais — e, principalmente, de me reconhecer neles.

Há uma alegria inesperada em perceber que a vida não terminou junto com aquilo que acabou.

Ela simplesmente continuou...

E trouxe coisas que eu não havia planejado. E outras que eu havia deixado de lado no transcurso do tempo.

Talvez essa seja uma das descobertas mais bonitas deste meu 2026: nem toda ruptura produz ausência.

 Algumas produzem espaço.

Espaço para o novo.

Para outras experiências.

Para outros desejos.

Para uma versão de mim que eu havia esquecido existir, e outras versões que eu sequer conhecia.

Olho para trás sem ressentimento e, curiosamente, sem vontade de voltar. Nenhuma vontade de voltar.

 O que passou teve seu tempo, sua importância, sua história. Mas ficou onde deveria ficar: no passado.

E eu estou aqui.

Vivendo um presente que, quando 2026 começou, eu não seria capaz de imaginar.

Talvez seja isso que a vida faça de mais bonito vez  por outra: quando a gente pensa que está tudo errado, ela vem e surpreende para te mostrar que está tudo certo.

E agora, enquanto escrevo as últimas palavras desta crônica, digito o ponto. Termino. .

E outra vez sorrio.

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