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terça-feira, novembro 6

'Precisavam de bode expiatório', diz Carla Cepollina ao negar assassinato



Advogada é julgada por morte do coronel Ubiratan, em setembro de 2006.
Interrogatório da ré começou nesta tarde no Fórum da Barra Funda.


Carla Cepollina deixa fórum após 1º dia de júri,
nesta segunda (Foto: JB Neto/Estadão Conteúdo)
A advogada Carla Cepollina, de 47 anos, julgada pela morte do coronel Ubiratan Guimarães, em 2006, afirmou em depoimento no tribunal do júri, nesta terça-feira (6), que os fatos apresentados pela acusação são “absurdos”.

Ela criticou o Ministério Público, afirmou que “precisavam encontrar um bode expiatório” e disse também foi “torturada na polícia”, “perseguida pela mídia” e que teve de ficar trancada em casa.

"Precisavam achar um bode expiatório e criaram um quebra-cabeça no qual eu não me encaixo", disse durante o interrogatório. Carla começou a depor por volta das 17h e por duas horas respondeu perguntas do juiz Bruno Ronchetti de Castro. Às 19h, ela começou a ser interrogada pelo promotor João Carlos Calsavara, e pediu para que ele a chamasse de “doutora”. Depois, se disse arrependida do comentário.

Ao longo do seu discurso, a advogada narrou os diversos fatos ocorridos na noite de 9 de setembro de 2006. Ela diz que saiu da casa de Ubiratan naquela noite e seguiu para o seu apartamento, enquanto o coronel permaneceu dormindo após ingerir bebida alcoólica.

 Cepollina também rebateu as afirmações presentes na acusação de que seu relacionamento com Ubiratan tratava-se de um namoro que já havia terminado.

Segundo ela, o coronel convidou-a para morar com ele duas vezes, o que não se concretizou, segundo Carla, por ela gostar de ser uma pessoa independente, classificando-se como “territorial”. O fim do namoro só ocorreu com a morte do coronel, na versão da ré.

Carla relatou que conheceu Ubiratan em 2000 numa festividade do Regimento de Cavalaria da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Um primo dela, que é tenente, a apresentou a Ubiratan. Eles se encontraram depois em 2002 e em 2004, quando ela o procurou na Assembleia Legislativa de São Paulo (Ubiratan era deputado estadual pelo PTB) para falar sobre o alistamento de um sobrinho.

A partir de então, começaram a namorar. “Ubiratan era muito inteligente, engraçado, espirituoso, extremamente sedutor. Eu gostei muito do Ubiratan."

Ela relata que em 2006 vivia em ano difícil, já que seu pai teve um diagnóstico de câncer e Ubiratan foi internado e chegou a realizar um cateterismo. Ela afirma que não foi morar com o coronel, mas administrava a casa dele e comprava seus remédios.

Ajudava também na campanha de Ubiratan, já que era ano eleitoral. Apesar dos problemas enfrentados, garantiu que não ficou psicologicamente abalada. “Eu fui treinada para enfrentar essas coisas. Meus avós foram combatentes de guerra.”
A ré relatou que no dia 9 de setembro foi ao comitê eleitoral e depois à hípica, onde encontrou Ubiratan. Falaram com pessoas sobre a campanha. Mais tarde, foram para o apartamento do coronel, onde ela fez duas caipirinhas, tomadas pelo deputado.

Ela admitiu que passou para Ubiratan a ligação da delegada Renata Madi, que teria um caso com o coronel à época.

Em seguida, assistiu à televisão e decidiu ir embora, já que o coronel dormiu. Passou em uma locadora e alugou os filmes “Armadilhas do Amor” e “América”.

Carla disse que soube pelos jornais que Ubiratan teria um caso com a delegada.

Segundo ela, Ubiratan falava muito sobre morte e decidiu comprar um carro blindado.

Naquele ano, ocorriam ataques de uma facção criminosa na cidade. Ela destacou, ainda, a história de Ubiratan como policial e disse que ele era extremamente voluntarioso. "Achar que eu envolveria ele maliciosamente é risível", afirmou.

Carla contou que atualmente vive de realizar trabalhos de tradução.

Segundo dia do júri

Após um atraso de cerca de duas horas em razão da falta de energia no entorno do fórum, o segundo dia do julgamento começou com a leitura de depoimentos de testemunhas. Entre os relatos lidos está o de Fabrício Rejtman Guimarães, um dos filhos do coronel assassinado em 2006. Ele afirmou que seu pai “tinha pena” de Cepollina, com quem não queria ter um relacionamento sério.

Segundo Fabrício, Cepollina queria que a relação fosse oficializada. O filho contou que Ubiratan contava que a mulher “chorava o tempo todo” pedindo para reatar o namoro. Em certa ocasião, o coronel pediu que o filho convidasse Cepollina para um almoço no sítio da família.

Ubiratan era viúvo havia seis anos e, nesse período, se relacionou com três mulheres segundo o filho. Em setembro daquele ano, ele manteria um caso com a delegada da Polícia Federal Renata Madi, que residia no Pará.

O depoimento da delegada foi outro dos textos lidos. Ela afirmou conhecer Ubiratan de um clube de tiro e admitiu que era apaixonada pelo coronel. Segundo o depoimento da delegada, os dois tiveram um relacionamento amoroso superficial. Disse ainda que Ubiratan lhe deu apoio para que ela prestasse concurso público e que, em 2006, quando ela teve de passar um período em Brasília, Ubiratan a visitou.

Também foi lido o depoimento de Ana Cristina de Jesus Bonfim, que era empregada da vítima. Outro texto reproduzido aos jurados foram as declarações de Desiree Teixeira Fresche, amiga da ré que foi arrolada como testemunha de defesa. Ela relatou que Ubiratan e Cepollina viviam uma relação próxima e que se ligavam pela manhã todos os dias, até para tirar dúvidas de “palavras-cruzadas”. Afirmou ainda que chegou a visitar o apartamento de Ubiratan, nos Jardins, e que conseguiu entrar sem precisar ser identificada por interfone.

Fonte: Site G1 

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