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terça-feira, agosto 25

Prova: mais do que avaliar, uma oportunidade de aprender

 Enquanto escrevo este texto, meus alunos realizam uma prova.


Da minha mesa, observo a sala em silêncio, os olhares atentos, a concentração, a pausa para pensar enquanto as respostas vão sendo construídas.

A cena proporcionada por meus alunos me compele a refletir sobre algo que considero muito importante na prática docente: afinal, para  que serve uma prova?

Gosto muito da ideia expressa por Vasco Pedro Moretto, no título de sua obra, Prova: um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas. A expressão, acerto de contas, é especialmente significativa porque traduz uma concepção de avaliação que precisa ser superada: a prova como um instrumento de cobrança, de punição pelo que não foi aprendido, ou mesmo como uma espécie de confronto entre professor e estudante - entre aquele que sabe, e aquele que (não) aprendeu. 

Eu, particularmente, não compreendo a avaliação desse modo. Para mim, se a aprendizagem é processo, a avaliação  também é. E a prova, claro, é um instrumento que permite verificar conhecimento e, como consequência, gera uma nota. É parte da vida acadêmica, e cumpre função importante no processo.  Mas ela pode - e deve - representar muito mais do que isso.

A prova é um momento de aprendizagem. Ao responder uma questão, o estudante não está apenas reproduzindo aquilo que estudou. Ele precisa mobilizar conhecimentos, interpretar situação, selecionar informações relevantes, estabelecer relações, construir argumentos e tomar decisões. Mais ainda numa prova de uma disciplina como a minha: Direito Penal. 

Há, portanto, uma aprendizagem acontecendo também neste momento da avaliação, no tempo de responder as questões da prova.

Por isso, uma boa questão não deveria perguntar apenas: você se lembra do que eu ensinei? Deveria permitir perguntar, você consegue utilizar aquilo que aprendeu para compreender e resolver uma situação?

Essa mudança de perspectiva modifica, inclusive, o significado do erro.

Ele não precisa ser visto apenas como aquilo que retira os pontos da nota. Ele pode revelar onde está a dificuldade, qual conceito ainda não foi suficientemente compreendido, que raciocínio precisa ser retomado e até mesmo o que, como professora, eu preciso explicar de outro modo, e de novo. 

Nesse sentido, a prova também avalia o próprio ensino, a performance do professor. 

E o resultado de uma turma diz algo sobre os estudantes, mas também oferece informações importantes ao professsor. Diz, também, sobre o professor. Se muitos não compreenderam determinado conceito, se uma questão produziu interpretações muito diferentes daquelas que se espera, ou se uma dificuldade se repetiu há, então, elementos que precisam retornar à sala de aula. 

Talvez por isso eu prefira pensar a avaliação como parte de um percurso, e não como o seu ponto final.

Ensinar, estudar, avaliar, identificar dificuldades, retomar conceitos e avançar são movimentos que fazem parte de um mesmo processo. A nota, ela registra um resultado em determinado momento, mas a aprendizagem não pode terminar quando a prova é entregue.

Enquanto observo meus alunos realizando a avaliação eu penso justamente nisso.

Cada um está diante da sua prova, é uma avaliaçãol discursiva, cujas questões precisam ser interpretadas, refletidas e respondidas fundamentadamente, e enquanto eles pensam e escrevem, eu penso justamente nisso: cada um está diatne da prova mobilizando o que aprendeu ao longo das aulas e de seus estudos.

Uns responderão com segurança; outros terão dúvidas; alguns perceberão que precisam estudar mais, indagar mais, participar mais, e tudo isso faz parte do aprender. 

Porque uma prova, ela pode ser exigente. Pode desafiar. Pode exigir estudo, responsabilidade e preparação. Ela pode ser muita coisa, menos uma certo de contas.

Quando compreendida como parte do processo educativo, a prova deixa de ser apenas o momento em que o professor pergunta e o aluno responde. Passa a ser, também, um momento em que o estudante aprende sobre aquilo que sabe; em que o professor aprende sobre aquilo que ensinou e, ambos, encontram pistas sobre o que ainda precisa ser construído.

Talvez esteja justamente aí uma das dimensões mais importantes da avaliação: não apenas constatar onde chegamos, mas ajudar a compreender por onde devemos continuar. 

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