Enquanto escrevo este texto, meus alunos realizam uma prova.
Da minha mesa, observo a sala em silêncio, os olhares atentos, a concentração, a pausa para pensar enquanto as respostas vão sendo construídas.
A cena proporcionada por meus alunos me compele a refletir sobre algo que considero muito importante na prática docente: afinal, para que serve uma prova?
Gosto muito da ideia expressa por Vasco Pedro Moretto, no título de sua obra, Prova: um momento privilegiado de estudo, não um acerto de contas. A expressão, acerto de contas, é especialmente significativa porque traduz uma concepção de avaliação que precisa ser superada: a prova como um instrumento de cobrança, de punição pelo que não foi aprendido, ou mesmo como uma espécie de confronto entre professor e estudante - entre aquele que sabe, e aquele que (não) aprendeu.
Eu, particularmente, não compreendo a avaliação desse modo. Para mim, se a aprendizagem é processo, a avaliação também é. E a prova, claro, é um instrumento que permite verificar conhecimento e, como consequência, gera uma nota. É parte da vida acadêmica, e cumpre função importante no processo. Mas ela pode - e deve - representar muito mais do que isso.

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