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sábado, novembro 7

O espelho que não costumamos usar...


Todos nós somos, em alguma medida, contraditórios. E uma contradição muito comum nas relações humanas é a facilidade com que somos capazes de identificar, criticar e condenar comportamentos alheios sem perceber que reproduzimos as mesmas atitudes.

Isso é bastante perceptível quando observamos que certas condutas adquirem, em nós, significados diferentes a depender de quem as pratica. Quando é o outro quem age — ou um determinado "tipo" de outro —, censuramos, nos indignamos, julgamos e até condenamos. Todavia, quando somos nós, ou alguém que nos seja caro, opomos explicações, atenuações e justificativas que buscam tornar compreensível e palatável aquilo que antes considerávamos inaceitável.

É recorrente notarmos isso, e não apenas em grandes questões éticas ou morais. Em pequenas atitudes cotidianas — palavras pronunciadas ou silenciadas, omissões, ausências e cobranças —, depositamos sobre os demais expectativas a que não nos submetemos, ou ao menos não sob os mesmos critérios. Enfim, somos hábeis em reconhecer incoerências alheias, mas raramente admitimos as nossas.

É muito mais simples olhar para fora do que para dentro. Esse olhar interior exige um exercício de honestidade e autocrítica que nem sempre estamos dispostos a realizar.

Todavia, vale dizer que reconhecer essa tendência não significa deixar de observar ou apontar condutas que consideramos inadequadas. A reflexão crítica é imprescindível. O problema se apresenta quando nos colocamos numa posição de superioridade moral, tornamo-nos excessivamente tolerantes com nossas falhas e esquecemos que as réguas que utilizamos para avaliar o próximo também precisam ser aplicadas a nós mesmos.

Em síntese: quantas vezes aquilo que tanto nos incomoda no comportamento de alguém também está presente nas nossas próprias atitudes, ainda que sob outras formas?

Reconhecer nossa vulnerabilidade diante dessas contradições é o primeiro passo para desenvolvermos uma postura mais consciente. Antes de apontar o dedo, é sempre prudente buscar o espelho e nos enxergar, lembrando que a verdadeira coerência está em aceitar, para nós, os mesmos critérios de julgamento que exigimos dos demais.

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