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Eliza Samúdio |
A tia de Bruno Fernandes de Souza, Cleuza Aparecida, disse
ao G1 na quinta-feira (15) que acredita na inocência do sobrinho. "Eu
tenho certeza de que ele vai ser absolvido, eu ajudei a criar, eu sei da
criação", afirmou. O goleiro e outros quatro réus começam a ser julgados
por júri popular, a partir desta segunda-feira (19), pelo cárcere privado e
morte da ex-amante do atleta, Eliza Samudio, de 25 anos, em crime ocorrido em
2010.
(A partir de segunda, dia 19, acompanhe no G1 a cobertura
completa do julgamento do caso Eliza Samudio, com equipe de jornalistas
trazendo as últimas informações, em tempo real, de dentro e de fora do Fórum de
Contagem, em Minas Gerais. Conheça os réus, entenda o júri popular, relembre os
momentos marcantes e acesse reportagens, fotos e infográfico sobre o crime
envolvendo o goleiro Bruno.)
Cleuza contou que todos os parentes estão muito ansiosos
nestes dias que antecedem o julgamento e acreditam na inocência de Bruno.
"Ele cresceu dentro da família, ele é uma pessoa muito especial." Apesar
de acreditar na inocência do sobrinho, ela não apontou quem seria culpado pelos
crimes. "A gente acredita no melhor, ele não tem nada a ver com
isso."
A tia de Buuno é uma das filhas que moram com Dona Stela,
avó do goleiro, em uma casa no Bairro Minaslândia, na região norte de Belo
Horizonte. Dona Stela é mãe do pai de Bruno, que, segundo Cleuza, morreu há
mais de 10 anos.
Ela mandou um recado para o sobrinho. "Gostaria de
falar com ele que no momento a gente só precisa ter fé. Ele vai ser
absolvido", afirmou.
Segundo o Ministério Público, oito acusados, sob ordens do
goleiro Bruno, participaram do sequestro e desaparecimento de Eliza, entre eles
a mulher e uma namorada do goleiro. A Promotoria acusa o jogador, que atuava
pelo Flamengo, de ter arquitetado o crime para não ter de reconhecer o filho
que teve com Eliza nem pagar pensão alimentícia. Bruno nega.
Conforme a denúncia, Eliza foi levada à força do Rio de
Janeiro para um sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em
cárcere privado. Depois, a vítima foi entregue para o ex-policial militar
Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que a asfixiou e desapareceu com o corpo,
nunca encontrado. O bebê Bruninho foi achado com desconhecidos em Ribeirão das
Neves (MG).
Do total de nove acusados, dois serão julgados separadamente
– Elenílson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza. Sérgio Rosa Sales,
primo de Bruno, foi morto a tiros em agosto. Outro suspeito, Flávio Caetano
Araújo, que chegou a ser indiciado, teve o processo arquivado.
Investigações
A polícia encerrou o inquérito com base em laudos que
atestam presença de sangue de Eliza em um carro de Bruno, nos depoimentos de
dois primos que incriminam o goleiro, em sinais de antena de celular e multas
de trânsito que mostram a viagem do grupo do Rio de Janeiro até Minas Gerais e
em conversas de Eliza com amigos pela internet, nas quais relata o medo que
sentia.
Eliza também havia prestado queixa contra o atleta quando
ainda estava grávida, dizendo que ele a forçou, armado, a tomar abortivos. Ela
ainda deixou um vídeo dizendo que poderia aparecer morta se não tivesse
proteção.
O julgamento
O júri popular do caso Eliza Samudio, marcado para começar
às 9h desta segunda-feira (19), no Fórum Doutor Pedro Aleixo, em Contagem (MG),
será presidido pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues. Além do goleiro
Bruno, estão no banco dos réus outros quatro acusados de participação: Luiz
Henrique Ferreira Romão, o Macarrão; Marcos Aparecido dos Santos, o Bola;
Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno; e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada
do goleiro.
Os réus serão julgados por um grupo de sete pessoas, formado
por cidadãos maiores de 18 anos residentes em Contagem (MG), sem antecedente
criminal ou parentesco com os acusados. Eles são sorteados um a um ao início da
sessão entre 25 pessoas previamente escaladas. A juíza Marixa pediu também que
suplentes estejam à disposição.
Ao todo, 30 testemunhas serão ouvidas – cinco de acusação,
que são ouvidas primeiro, e 25 arroladas pela defesa (cinco para cada réu). Não
há limite de tempo para as oitivas. Cada testemunha é questionada pelo juiz,
pelo promotor e pelos advogados de todos os réus.
Encerrada essa fase, que promete ser a mais longa, começa o
interrogatório dos cinco réus, que têm o direito de permanecer em silêncio.
Depois, acusação e defesa apresentam seus argumentos para tentar convencer os
jurados de que os réus são culpados ou inocentes.
Por último, o júri se reúne em uma sala secreta para
responder a quesitos formulados pelo juiz com "sim" e
"não". Eles decidirão se os réus cometeram o crime, se podem ser
considerados culpados e se há agravantes ou atenuantes, como ser réu primário.
De posse do veredicto, a decisão final dos jurados, a juíza dosa a pena com
base no Código Penal, se houver condenação. Se houver absolvição, o réu deixa o
tribunal livre.
Fonte: Site G1
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