O jornal Zero Hora publicou, neste domingo, matéria sobre o tema, trazendo a opinião de alguns promotores para quem a aprovação da medida constitui retrocesso, já que inviabilizará , por exemplo, apurações investigatórias semelhantes à que elucidou o escândalo do mensalão, em 2005.
A proposta de autoria do Deputado Lourival Mendes (PT do B-MA) foi aprovada sob intensa pressão de sindicatos policiais, depois de seis meses de tramitação, numa rapidez poucas vezes observadas na Câmara.
Dos 31 deputados que votaram a favor da proposta, pelo menos 19 responderam a algum questionamento na Justiça movido pelo MP. O texto agora será remetido para discussão em uma comissão especial e depois vai à votação em plenário. Além de excluir o MP das apurações criminais, a PEC também afeta instituições como o Banco Central, a Receita Federal e o INSS, que mantêm unidades de inteligência e estariam impedidas de investigar crimes financeiros e previdenciários. A polêmica proposta divide opiniões.
Polícias querem exclusividade
Para o diretor do Instituto Brasileiro Giovanni Falcone, o juiz aposentado Walter Maierovitch, a PEC é um retrocesso para o sistema jurídico. Maierovitch lembra que o crime organizado – uma falange que transpõe fronteiras e aumenta seus lucros de 30% a 40% por ano – tem um braço junto ao poder político e age para garantir a impunidade.
– Essa PEC é uma vitória do crime organizado e dos corruptos. O MP é o representante da sociedade e o titular da ação penal. Como pode ser impedido de investigar? – questiona o magistrado, especialista em combate à corrupção.
De acordo com o texto, caberá somente às polícias civis dos Estados e à Polícia Federal a abertura e a condução de inquéritos criminais. Assim, só quem primeiro poderá dizer se alguém praticou um crime ou não é um delegado. Ao MP, caberá ajuizar a ação, arquivá-la ou solicitar mais diligências, caso considere necessário.
Colega de Lourival na CCJ e promotor de carreira, o deputado Vieira da Cunha (PDT-RS) apresentou um voto em separado durante a votação da PEC, mas foi derrotado. Para o gaúcho, a proposta é nociva à sociedade e esbarra em sucessivas decisões do Supremo Tribunal Federal, que tem amparado as investigações realizadas pelo MP:
Titular de um dos escritórios de advocacia mais requisitados de Brasília, José Eduardo Alckmin reconhece que a PEC fomenta uma discussão delicada, mas considera prudente a condução dos inquéritos pela autoridade policial. Conforme o advogado, quando a investigação está concentrada no MP, não há controle por parte do Judiciário.
– Embora não seja recorrente, existe a possibilidade de abuso por parte dos promotores. A polícia está mais preparada para investigar – sustenta Alckmin.
Acostumado a investigar crimes, o promotor Mauro Rockenbach discorda:
– Lamento que a Polícia Civil deste país esteja tão concentrada na aprovação da mudança que impede o MP de investigar quando deveria estar debruçada na solução das centenas de milhares de ocorrências que se acham empilhadas nas delegacias e sem qualquer providência.
Fonte: Jornal Zero Hora
Nenhum comentário:
Postar um comentário