Eles foram vítimas de doenças e
da violência dos detentos, diz promotor.
Pelo menos 30 presos morreram dentro de presídios da Região
Metropolitana de Porto Alegre nos últimos dois anos, vítimas de doenças ou da
violência entre os detentos. O levantamento, feito pelo promotor de Justiça
Gilmar Bortolotto, adiciona mais um item na lista de problemas das
penitenciárias gaúchas: falta segurança e assistência para os detentos que
deveriam estar sob os cuidados do Estado.
Nesta sexta-feira (03), a equipe da RBS TV teve acesso às
imagens dos corpos quatro presos assassinados no Instituto Penal de
Charqueadas. Segundo o Ministério Público (MP), eles foram encontrados em covas
no terreno onde fica o pavilhão do regime semiaberto. Na terça-feira (30), a
pedido do MP, a Justiça interditou o local em virtude da falta de segurança.
“Nos últimos dois anos, foram pelo menos 30 mortes por
doenças, como HIV e tuberculose, ou violência entre os detentos dentro de
institutos penais. Quando um preso é eliminado desta maneira, é uma barbárie.
Ou seja, o contrário do que estamos tentando fazer aqui há muito tempo. Ninguém
está isento desse julgamento, a falha é de todos”, diz Bortolotto.
O promotor mostra os registros de ameaças, denunciadas por
presos que têm medo de morrer. Ainda conforme Bortolotto, algumas famílias de
detentos desaparecidos chegaram a registrar ocorrência. A situação se repete em
outras cadeias. Na Colônia Penal de Mariante, em Estância Velha, a polícia
chegou antes que o corpo de um preso, escondido dentro de um latão de lixo,
fosse descartado pelos autores do crime.
“É fundamental que o Estado se faça presente nos presídios,
para garantir um clima civilizado e permitir que o preso que quer pagar sua
conta e sair livre do estabelecimento penal possa fazer isso com tranquilidade.
É preciso que os delitos nas casas criminais, mesmo aqueles em que as vítimas
são os próprios presos, sejam investigados”, afirma o promotor.
A Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe)
informou que vistorias foram feitas nos presídios, mas que nada foi encontrado.
A interdição do Instituto Penal de Charqueadas, que proíbe a entrada de novos
detentos, é válida por 30 dias ou até que Susepe adote medidas de segurança que
garantam a integridade física dos detentos.
Fonte: G1RS
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